Aquilo que se pensa


O perigo de morar na rua

 

Assassinatos em série de moradores de rua são crimes de ódio

 

 

                    Treze anos após o assassinato de um índio pataxó nas ruas de Brasília, mortes de moradores de rua ainda enchem os noticiários. São crimes que podem ter algo em comum: o ódio e a dessemelhança dos assassinos em relação às vitimas, o que torna ainda mais perigosa a sobrevivência nas ruas do país.

                   

                     Em 1997, o índio Galdino dos Santos foi queimado vivo enquanto dormia em Brasília. O crime foi praticado por cinco jovens de classe média alta que acharam que ele era um mendigo e alegaram que fizeram “uma brincadeira”. Em setembro de 2004, ocorreu uma onda de ataques a mendigos em São Paulo, deixando seis mortos e nove feridos. Atualmente nas páginas dos jornais pode ser visto um verdadeiro massacre nas ruas de Maceió. Mais de trinta moradores de rua foram assassinados. Há suspeita de que um grupo de extermínio com envolvimento de policias possa estar praticando esses crimes.

                     

                     Esses crimes revelam uma face extremista, decorrente da intolerância. Essas vítimas são percebidas como lixo que devem ser varridos da sociedade. Há uma dessemelhança em relação ao outro. O praticante do ato não vê a vítima como semelhante e a seleciona em função de pertencer a esse grupo. É, portanto, um crime motivado pelo preconceito, pelo ódio. Crimes de ódio são assim caracterizados. São decorrentes de idéias racistas, discriminatórias, intolerantes...

                    

                     Não bastando todo o perigo de estar exposto nas ruas, a falta de compaixão e a presença da intolerância, pode deixar a vida nas ruas e calçadas do Brasil inexistente.

 

                         



Escrito por Anna Fernandes às 16h17
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Segundo Round

A batalha pelo planalto

                   Contrariando pesquisas eleitorais, as eleições 2010 caminharam ao segundo turno. E a partir de então foi possível perceber um duelo travado em busca do poder presidencial. No horário eleitoral muita agressividade, ofensas e difamações feitas por cada candidato em relação ao outro. O presidente Lula, o papa Bento XVI, intelectuais, famosos e questões polêmicas foram usados com armas de guerra para ganhar eleitores indecisos e os votos antes destinados a Marina Silva.

                  A candidata Dilma Roussef  se apoiou na proposta de continuar o que seu maior cabo eleitoral  fez nos oito anos prescedentes a essa eleição, deixando bem claro que votar nela é como votar nele. A presidenciavel  apimentou a campanha tornando-a mais agressiva e segundo ela própria apenas reagindo a boatos e ofensas feitos pelo seu rival eleitoral. Tudo isso lhe causou alguns minutos perdidos em sua própria campanha ja que o candidato Serra recorreu ao TSE pedindo direitos de respostas a algumas afirmações que ela fez em relação a existência de caixa dois na campanha eleitoral do adversário. O presidenciavél José Serra não ficou atrás e além de manter uma campanha também agressiva, usou de questões religiosas para deixar sua oponente em maus lensões diante dos mais conservadores religiosos. Fez afirmações na campanha como "ela mata criancinhas" se referindo a uma possível aceitação da candidata em relação a legalização do aborto. As questões religiosas foram super exploradas pela busca de votos de eleitores evangélicos que antes apóiavam Marina Silva.

                  Falando nisso, os quase vinte milhões de votos conquistados por Marina foram alvo de grande disputa no segundo turno. Tanto que os presidenciaveis se preocuparam em modificar e avaliar algumas pautas na campanha para que atingissem os eleitores de Marina, falaram como nunca antes de sustentabilidade e em propostas verdes. No entanto, não foi suficiente para comover Marina Silva que adotou junto com o PV uma conduta independente nas eleições. Na realidade, a própria guerra travada pelos candidatos foi o fator crucial para essa posição de Marina que chamou a guerra de "dualidade destrutiva".

                   Assim, os candidatos tentaram tranformar o segundo turno em uma guerra maniqueísta. Como se um fosse o ideal para o país, a personificação do bem e o outro o mal em pessoa. E pretenciosamente acharam que todos os eleitores concordariam com isso, como se para fazer política fosse isso o necessário. O que se enfrenta na politica atual são visões como essas que  destroem o sistema político, atrasando-o e imergindo a um ciclo de velhas idéias e paradigmas.

                  



Escrito por Anna Fernandes às 23h00
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Marionetes

Candidatos famosos viram bonecos na mão de partidos

           Reta final. No próximo domingo será a votação das eleições 2010 que, sem dúvida, foi marcada pelo grande número de candidatos famosos sem nenhum curriculo político. Mas o que esse fato mostra é a estratégia dos partidos políticos que sem nenhum pudor lançam esse tipo de candidatos. Os puxadores de votos carregam seus partidos nas costas alavancando os outros candidatos ao poder e rezando suas cartilhas.

          Ao se eleger um candidato com números expressivos, o partido consegue por meio do chamado quociente eleitoral ( soma de votos dos candidatos e da legenda dividida pelo número de vagas a que cada Estado tem direito) eleger outros candidatos com números de votos bem menores. Assim, ter candidatos famosos no partido pode ser benéfico. Esse fato só aumenta o fenômeno de candidatos cacarecos como por exemplo o humorista Tiririca, que se for eleito, pode carregar ao poder mais cinco outros candidatos. Esse fato é bem mais comum do que  parece. O estilista Clodovil Hernandes quando foi eleito com mais de 500 mil votos abriu as portas para Paes de Lira. A curiosidade desse fato é que Clodovil era homossexual assumido e Lira é um convervador contrário ao casamento gay.

          Outro problema que ocorre na eleição desses candidatos é que na maioria das vezes eles não tem nenhum conhecimentro sobre política e muito menos sobre o que fazer nos seus cargos. Assim seguem os caciques dos partidos e vem somente os interesses relativos a eles. O que pode acontecer com o Tiririca que diz não saber o que faz um deputado quando for eleito para esse cargo? Parece que o tempo voltou ao coronelismo e que os candidatos famosos estão com o cabresto apertado. Ou melhor, o show de marionetes vai começar. Pegue sua pipoca e assista ao espetáculo de horrores. E o povo que os elegeram? Certamente ficam a ver navios na realidade dura fora da Camara, Senado e do Planalto.

         

 

 



Escrito por Anna Fernandes às 00h03
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Cidadania?

 

Uma parcela significativa da população brasileira nunca viveu essa realidade.

 

 

          Fácil é falar. A superexploração da palavra cidadão é comum a políticos, educadores e comunicadores que dão ênfase ao resgate de ser cidadão. Mas como falar em cidadania a  21,7 % de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza? Dicionário em mãos. Cidadão é o habitante do estado com direitos civis e políticos. Ter direito à vida, à propriedade, à liberdade, à igualdade perante a lei e a participar no destino da sociedade é ser cidadão. Mas o que se pode ver ao andar pelas cidades e enxergar o outro que passa do seu lado na calçada, que está deitado com fome nas ruas e que pede esmolas no sinal é que nem todos exercem, como deveriam, sua cidadania. A falta de direitos sociais não permite o exercício dos direitos civis e em plenitude os direitos políticos. Como votar com conciência sem saber ler e escrever, ou seja, sem ter o direito à educação? Ou como exercer o direito à propriedade sem ter direito a um trabalho justo?

                              

          A Constituição imperial de 1824 e a primeira Constituição republicana de 1891 consagravam a expressão cidadania. A Constituição de 1988 foi batizada como a “Constituição Cidadã”.  A idéia de ser plenamente um cidadão sempre andou presente na história brasileira. Mas, hoje em dia, ser cidadão virou sinônimo de ser um consumidor consciente que quando é prejudicado em alguma compra procura seus direitos no PROCON. A imagem de ser cidadão vem atrelada com a de poder  consumir, mas como consumir sem conseguir ter direitos sociais ? É comum, também, ouvir fervorosos discursos sobre a necessidade de resgatar a cidadania. No entanto, não se pode resgatar o que nunca se teve.

                        

           Dessa forma, não pode haver exercício da cidadania com a desigualdade social e econômica tão latente no país. É importante sim ser cidadão, mas é importante também ter a justa disposição de benefícios sociais e economicos entre os brasileiros. Certamente, sem a diminuição efetiva da desigualdade, ainda haverá não cidadãos no Brasil.

 



Escrito por Anna Fernandes às 22h29
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Ficção nossa de cada dia

A telenovela contribui para a alienação ou ajuda na formação da sociedade?

 

              Após o trabalho, chegar em casa, ligar a tv e assistir a sua novela favorita. Essa é uma realidade comum a muitos brasileiros durante toda a história das telenovelas no Brasil. A primeira telenovela no país foi " Sua vida me pertence" na década de 1950, protagonizada por Vida Alves e Walter Foster. A partir de então uma paixão tomou conta da vida dos telespectadores que hoje vem na telinha uma estagnação nas tramas que acabam se repetindo e acabando com a magia do formato, além da exibição de cenas desnecessárias de sexo e violência, cheia de merchandising que as comerciabilizam ainda mais. Tudo isso, vem contribuindo para a diminuição do número de expectadores. A maior diferença das primeiras novelas e das de hoje é a produção de qualidade e maior empregabilidade que elas agora oferecem. Faxineiros, figurinista, diretores, atores e muitos outros profissionais são empregados pelas novelas. Há uma diferença também gritante no conteúdo, antes lúdico e singelo que às vezes tentava adaptar a realidade à literatura. "A escrava Isaura", "Roque Santeiro" e " Dancin' Days" são exemplos de grandes sucessos.

               Há quem critique e levante a questão da falta de conteúdo útil levando a alienação dos reais acontecimentos da sociedade, que pode ocorrer muitas vezes. Mas algumas novelas tentaram  inserir na trama assuntos relevantes para discussão e reflexão da sociedade como o racismo, homofobia e preconceito contra deficientes. A novela "Mulheres Apaixonadas"  levantou o tema dos maus tratos a idosos e contribuiu para a formação do Estatuto do Idoso. A finalidade das telenovelas é dar entreterimento, mas deveria sempre ser um entreterimento com cultura e propósito, já que pela alta audiência que tem, influencia pessoas de vários cantos do país. A televisão é um meio de comunicação democrático, visto por pessoas de diversas classes sociais e por isso acaba servindo de fuga à realidade triste e difícil de muitas pessoas. O escapismo é a característica mais encantadora das novelas. Ao mesmo tempo em que o público pode se identificar com determinados personagens.

          

             



Escrito por Anna Fernandes às 21h47
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Política no humor ou humor na política?

Não precisava de censura. O humor se faz presente todos os dias no horário eleitoral.

             Duas vezes por dia, 50 minutos por vez. É o tempo em que canditados à eleição têm para dizer suas plataformas políticas ou pelo menos deveriam. Mas o que se vê assusta. Além de candidatos sem nenhuma experiência política, os famosos dão uma pitada de graça. Entre eles, o humorísta Tiririca concorre pelo PR a deputado federal e exprime todo seu otimismo com o slogan "Pior do que está não fica" e o seu colega de Show do Tom o também humorista Pedro Manso vestido de Fala Silva diz "O loco meu! Pedro Manso para deputado". Cacarequices. Cacareco era o nome do Rinoceronte do zoológico de São Paulo que em 1958 ganhou 100 mil votos para vereador e hoje em dia o nome é usado para se referir a candidatos folclóricos, bizarros e sem nenhum currículo político.

              Ser famoso ou conhecido no meio artístico pode ajudar a ganhar votos, mas não pode ser pré requisito para ser candidato. O que se agora presencia são candidatos que vem nas eleições uma maneira de estar sempre na mídia, sem nenhum compromisso com a profissão. Se para nós, anônimos mortais entrar em uma profissão é tão dificíl e requer um mínimo de preparo, no meio político a dificuldade deveria ser em dobro pela responsabilidade das tomadas de decisões e suas consequências diretas nas vidas dos brasileiros.

               A banalização do processo político no país é enraizado na cultura mas exercer o papel de cidadão nas eleições pode ser a única forma de driblar a vergonha e as cacarequices das candidaturas eleitorais. O voto ainda é o mecanismo mais eficiente e democrático para garantir direitos. Por isso, só a consciência coletiva garantirá ao país o desenvolvimento político, social e econômico que ele merece.

 

 

 

Lista de candidatos famosos:

Popó – pugilista; disputa vaga na Câmara pelo PRB-BA

Maguila – ex-pugilista; quer ser deputado federal pelo PTN-SP

Marcelinho Carioca – ex-jogador de futebol; concorre à Câmara pelo PSB-SP

Romário – ex-jogador de futebol; candidato a deputado federal pelo PSN-RJ

Vampeta – ex-jogador de futebol; disputa uma vaga na Câmara pelo PTB-SP

Leandro – cantor do KLB; concorre a deputado estadual pelo DEM-SP

Kiko – cantor do KLB; disputa uma vaga na Câmara pelo DEM-SP

Netinho – cantor de pagode/apresentador; concorre ao Senado pelo PCdoB-SP

Reginaldo Rossi – cantor; concorre à Assembléia de PE pelo PDT

Renner – cantor, dupla de Rick; candidato a senador pelo PP-GO

Sérgio Reis – cantor; disputa uma vaga na Câmara pelo PR-MG

Ronaldo Esper – estilista; concorre à Câmara pelo PTC-SP

Pedro Manso – humorista; disputa vaga na Assembléia do RJ pelo PRB

Dedé Santana – humorista; candidato a deputado estadual pelo PSC-PR

Tati Quebra-Barraco – cantora de funk; – concorre à Câmara pelo PTC-RJ

Tiririca – cantor; candidato a deputado federal pelo PR-SP

Mulher Melão – candidata à Assembléia do RJ pelo PHS

Mulher Pêra – concorre a deputada federal pelo PTN-SP

Informações de ClicRBS

 

 



Escrito por Anna Fernandes às 14h53
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Violência contra a mulher

Condenações de mulheres a apedrejamento no Irã exemplificam as práticas de violência contra a mulher que acontecem no mundo todo e em todas as épocas.

          Chutes, socos, pontapés, ofensas e ameaças são algumas violências ocorridas contra mulheres em muitos países. Particularmente em países mulçumanos uma lei islâmica prevê para mulheres adúlteras a pena de ser apedrejada até a morte. É nessa posição que se encontra Sakineh Mohammadi Ashtiani de 43 anos no Irã, caso que extrapolou as fronteiras e causou protestos em várias partes do mundo. Em muitos países da África, a mutilação de órgãos sexuais é uma prática tradicional que segundo a crença garante a fertilidade e fidelidade das mulheres. No Sudão, as chicotadas são usadas como punição para quem infringe a lei da moral pública ao se vestir de forma desapropriada de acordo com a cultura. Mas será que costumes de uma cultura estão acima dos direitos humanos?

           

No Brasil, as taxas de assassinatos femininos são altas, superiores as dos países europeus. Segundo o Mapa da Violência no Brasil 2010 do Instituto Zangari entre 1997 e 2007 dez mulheres foram assassinadas por dia. Uma série de casos pode ser visto nos noticiários regularmente.“Quanto mais machista a cultura local, maior tende a ser a violência contra a mulher”, diz a psicóloga Paula Licursi Prates ao Estadão.

 

 Para punir e intimidar essas práticas de violência, a Lei Maria da Penha, independentemente de erros em sua execução, pode ser considerada um ganho para as mulheres que foram e são vítimas desse crime e que antes não tinham apoio do Estado.

 



Escrito por Anna Fernandes às 00h03
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