Aquilo que se pensa


Cidadania?

 

Uma parcela significativa da população brasileira nunca viveu essa realidade.

 

 

          Fácil é falar. A superexploração da palavra cidadão é comum a políticos, educadores e comunicadores que dão ênfase ao resgate de ser cidadão. Mas como falar em cidadania a  21,7 % de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza? Dicionário em mãos. Cidadão é o habitante do estado com direitos civis e políticos. Ter direito à vida, à propriedade, à liberdade, à igualdade perante a lei e a participar no destino da sociedade é ser cidadão. Mas o que se pode ver ao andar pelas cidades e enxergar o outro que passa do seu lado na calçada, que está deitado com fome nas ruas e que pede esmolas no sinal é que nem todos exercem, como deveriam, sua cidadania. A falta de direitos sociais não permite o exercício dos direitos civis e em plenitude os direitos políticos. Como votar com conciência sem saber ler e escrever, ou seja, sem ter o direito à educação? Ou como exercer o direito à propriedade sem ter direito a um trabalho justo?

                              

          A Constituição imperial de 1824 e a primeira Constituição republicana de 1891 consagravam a expressão cidadania. A Constituição de 1988 foi batizada como a “Constituição Cidadã”.  A idéia de ser plenamente um cidadão sempre andou presente na história brasileira. Mas, hoje em dia, ser cidadão virou sinônimo de ser um consumidor consciente que quando é prejudicado em alguma compra procura seus direitos no PROCON. A imagem de ser cidadão vem atrelada com a de poder  consumir, mas como consumir sem conseguir ter direitos sociais ? É comum, também, ouvir fervorosos discursos sobre a necessidade de resgatar a cidadania. No entanto, não se pode resgatar o que nunca se teve.

                        

           Dessa forma, não pode haver exercício da cidadania com a desigualdade social e econômica tão latente no país. É importante sim ser cidadão, mas é importante também ter a justa disposição de benefícios sociais e economicos entre os brasileiros. Certamente, sem a diminuição efetiva da desigualdade, ainda haverá não cidadãos no Brasil.

 



Escrito por Anna Fernandes às 22h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, Arte e cultura, Livros
Histórico
Outros sites
  Blog Velho Tempo Novo
  Meu twitter
  UOL - O melhor conteúdo
  Revista Piauí
  Escola Virtual
  BOL - E-mail grátis
Votação
  Dê uma nota para meu blog